O Sistema
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A frase “reação em cadeia da polimerase” (PCR) foi usada pela primeira vez há mais de 30 anos em um artigo que descreveu sobre uma nova amplificação enzimática de DNA.1 Essa amplificação consistiu na produção de milhares de cópias de um pedaço de ácido nucleico (material genético).2 A PCR é capaz de identificar uma bactéria e um vírus detectando o seu material genético, que pode ser DNA (ou RNA para alguns tipos virais).
Ao longo dos anos a PCR passou por várias melhorias e um dos marcos mais importantes na utilização de PCR foi a introdução do conceito de monitorar a amplificação de DNA em tempo real por meio de fluorescência.3-4
A técnica de PCR em tempo real necessita de vários reagentes como por exemplo: enzimas, iniciadores que delimitam a região do DNA ou RNA que deve ser amplificada, sondas fluoescentes, substratos (conhecidos como DNTPs) e equipamentos termocicladores que auxiliam na produção das milhares de cópias. O acúmulo da fluorescência dessas milhões de cópias produzidas é captada pelo equipamento e esse sinal fluorescente amplificado milhões de vezes é o sinalizador da presença ou ausência de um patógeno que se deseja identificar, por exemplo.3-4
É por esse motivo que as técnicas que se baseiam no diagnóstico molecular, como a PCR em tempo real, estão revolucionando a prática clínica das doenças infecciosas5 e além disso tem sido amplamente utilizadas para prever o curso de doenças.6
A metodologia oferece um grande potencial para detecção de doenças e certamente tem se tornado uma ferramenta fundamental no arsenal de diagnóstico em evolução do século 21. Isso porque há uma melhor gestão de vigilância epidemiológica, seleção de antibióticos e controle de surtos de doenças. Para médicos de cuidados intensivos de primeira linha, ou médicos que trabalham em ambientes de desastre, painéis de ensaios de PCR que visam patógenos envolvidos em síndromes específicas, como meningite, pneumonia ou sepse permitem uma rápida triagem e terapia direcionada. Ou seja, médicos e pacientes se beneficiam com a diminuição de tempo de espera para resultados e as estadias de internação tendem a reduzir.7
Para infecções que não são classificadas como agudas, como as vaginais, um diagnóstico rápido e preciso pode levar a um controle mais rápido da infecção e a uma melhor qualidade de vida devido à resolução dos sintomas. Isso tem como consequência a redução de sequelas graves, como: nascimento prematuro, transmissão e aquisição de infecções sexualmente transmissíveis (IST), aborto espontâneo tardio, doença inflamatória pélvica (PID). De maneira geral, o diagnóstico molecular pode reduzir os custos e gastos com tratamento ineficaz e melhorar a gestão antimicrobiana das infecções vaginais.8