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Quando eu preciso fazer cada teste?

Entenda os exames que o médico pode solicitar para complementar seu diagnóstico e realizar seu
tratamento

Explore cada condição e entenda quando é indicado realizar cada exame.

Infecções Hospitalares

Infecções por Cdiff

O Clostridioides difficile, ou Cdiff, é uma bactéria que pode causar infecções intestinais graves, especialmente após o uso de antibióticos que desequilibram a flora intestinal. Essa infecção é uma das principais causas de diarreia associada à assistência à saúde, podendo levar a complicações sérias5.

A transmissão ocorre principalmente por via fecal-oral, que é quando o agente presente nas fezes de uma pessoa infectada alcança a boca de uma pessoa saudável. A transmissão também pode ocorrer através do contato com superfícies ou objetos contaminados por esporos da bactéria. Esses esporos são altamente resistentes e podem sobreviver por longos períodos no ambiente, tornando a infecção particularmente comum em ambientes hospitalares e de cuidados prolongados.

Os sintomas mais comuns incluem:

  • Diarreia aquosa (frequentemente mais de 10 evacuações por dia);
  • Dor e cólicas abdominais;
  • Febre;
  • Náuseas e perda de apetite2.

Em casos graves, podem ocorrer complicações intestinais e sepse1.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é realizado por meio da detecção das toxinas A e B do Cdiff nas fezes do paciente, utilizando testes laboratoriais específicos, como por exemplo a Biologia Molecular. A identificação rápida é crucial para iniciar o tratamento adequado e prevenir a disseminação da infecção1.

Qual é o tratamento?

Sempre é importante seguir a conduta médica. O tratamento sintomático é essencial e envolve hidratação e reposição de eletrólitos, além disso, pode haver indicação da suspensão do antibiótico que desencadeou a infecção e a administração de antibióticos específicos contra o Cdiff. 1

Medidas preventivas incluem:

  • Higienização rigorosa das mãos com água e sabão;
  • Uso criterioso de antibióticos, apenas quando prescritos por um profissional de saúde;
  • Limpeza e desinfecção adequadas de superfícies em ambientes de saúde;
  • Isolamento de pacientes infectados para evitar a propagação1,5.

Infecções por Staphylococcus aureus

O Staphylococcus aureus é uma bactéria comumente presente na pele e nas mucosas de pessoas saudáveis. Embora geralmente inofensiva, pode causar infecções quando penetra no organismo através de feridas ou dispositivos médicos, especialmente em indivíduos com o sistema imunológico comprometido1. É uma das principais causas de infecções hospitalares e comunitárias, incluindo infecções de pele e pneumonia1.

A transmissão ocorre principalmente por contato direto com pessoas infectadas ou colonizadas, ou por meio de superfícies e objetos contaminados, como equipamentos médicos e roupas2. Ambientes hospitalares são os locais com maior risco de transmissão, devido à alta circulação de pacientes vulneráveis e à presença frequente da bactéria em superfícies2.

Os sintomas das infecções por Staphylococcus aureus variam conforme o local da infecção:

  • Infecções de pele: feridas dolorosas, vermelhidão, inchaço, abscessos com pus;
  • Infecções pulmonares (pneumonia): febre alta, tosse, dificuldade para respirar;
  • Infecções sanguíneas (bacteremia ou sepse): febre persistente, calafrios, queda de pressão3;
  • Endocardite (infecção nas válvulas do coração): fadiga, falta de ar, sopro cardíaco4.

Em casos graves, o Staphylococcus aureus pode causar complicações como osteomielite (infecção nos ossos), meningite e falência de órgãos4.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é realizado por meio de exames laboratoriais, como por exemplo o PCR em tempo real, que identificam a presença da bactéria em amostras de sangue, secreções ou tecidos afetados. O teste de sensibilidade também é essencial para orientar o tratamento mais adequado5.

Qual é o tratamento?

O tratamento das infecções por Staphylococcus aureus é baseado na localização e gravidade da infecção, e deve ser sempre conduzido por um profissional de saúde. O controle rigoroso do uso de antimicrobianos é essencial para evitar a resistência bacteriana5.

Medidas preventivas eficazes incluem:

  • Higiene frequente das mãos com água e sabão;
  • Uso correto de equipamentos de proteção individual em ambientes de saúde;
  • Cuidados com ferimentos, mantendo-os limpos e cobertos;
  • Evitar compartilhar objetos de uso pessoal, como toalhas, lâminas e roupas2.

Infecções por Enterococcus

Os enterococos são bactérias do gênero Enterococcus, normalmente encontradas no trato gastrointestinal humano e de outros animais. Embora geralmente inofensivas, podem causar infecções oportunistas quando contaminam tecidos e órgãos fora do trato gastrointestinal, especialmente em ambientes hospitalares. As espécies mais comuns associadas a infecções humanas são Enterococcus faecalis e Enterococcus faecium1.

A transmissão dos enterococos ocorre principalmente por contato direto ou indireto com superfícies ou equipamentos contaminados, especialmente em ambientes de saúde. Pacientes hospitalizados, com uso prolongado de antibióticos ou dispositivos invasivos, estão em maior risco2.

Os sintomas variam conforme o local da infecção:

  • Infecção do trato urinário (ITU): dor ou ardência ao urinar, necessidade frequente de urinar, urina turva ou com sangue e febre;
  • Infecção de corrente sanguínea: febre, calafrios, pressão arterial baixa;
  • Endocardite: febre persistente, sopro cardíaco, fadiga;
  • Infecções em feridas cirúrgicas: vermelhidão, inchaço, dor e secreção no local da cirurgia.

Em casos graves, podem levar a complicações sérias, como sepse1.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é realizado por meio de exames laboratoriais, como PCR em tempo real, culturas de sangue, urina ou outros fluidos corporais, para identificar a presença da bactéria. Testes de sensibilidade a antibióticos são essenciais para determinar o tratamento adequado2.

Qual é o tratamento?

O tratamento depende do órgão/tecido atingido, da gravidade da infecção e da resistência da bactéria aos antibióticos. A escolha do tratamento deve ser baseada nos resultados dos testes laboratoriais e orientada por um profissional de saúde4.

Medidas preventivas incluem:

  • Higiene das mãos: lavagem adequada com água e sabão ou uso de álcool em gel;
  • Higiene íntima correta: evitar a contaminação do trato urinários pelas fezes;
  • Uso racional de antibióticos: evitar o uso desnecessário e sem receita médica para prevenir o desenvolvimento de resistência;
  • Cuidados com dispositivos médicos: manutenção e desinfecção adequadas de cateteres e outros dispositivos invasivos;
  • Isolamento de pacientes infectados: em ambientes hospitalares, para evitar a disseminação3.

Infecções gastrointestinais

Infecções por Salmonella

A salmonelose é uma infecção causada por bactérias do gênero Salmonella, sendo uma das principais causas de doenças transmitidas por alimentos no mundo1. A forma mais comum é a gastroenterite não tifoide, caracterizada por inflamação do trato gastrointestinal. Em casos mais graves, especialmente em regiões com saneamento precário, pode ocorrer a febre tifoide, causada pela Salmonella Typhi1.

A principal via de transmissão é a fecal-oral, ou seja, contaminação na qual o agente etiológico presente nas fezes de uma pessoa ou animal infectado alcançam a boca de uma pessoa saudável. A transmissão da Salmonella ocorre principalmente por meio da ingestão de alimentos ou água contaminados3. Alimentos comumente associados incluem:

  • Carnes cruas ou mal cozidas (especialmente frango e porco);
  • Ovos e produtos derivados;
  • Leite não pasteurizado;
  • Frutas e vegetais crus contaminados.

Os sintomas geralmente aparecem entre 6 horas e 6 dias após a exposição2 e incluem:

  • Diarreia (às vezes com sangue ou muco);
  • Dor abdominal intensa;
  • Febre;
  • Náuseas e vômitos;
  • Dor de cabeça;
  • Desidratação e distúrbio eletrolítico.

A maioria das pessoas se recupera em 4 a 7 dias sem tratamento específico. No entanto, em grupos de risco, como crianças pequenas, idosos e imunocomprometidos, a infecção pode ser mais grave e requerer hospitalização2.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é realizado por meio de exames laboratoriais, como o PCR em tempo real e a cultura de fezes, que identifica a presença da bactéria. Em casos mais graves, podem ser necessários exames de sangue ou outros testes para verificar a disseminação da infecção5.

Qual é o tratamento?

Na maioria dos casos, a salmonelose é autolimitada e o tratamento visa aliviar os sintomas, com foco na reposição de líquidos (hidratação) e eletrólitos. Antibióticos são geralmente reservados para casos graves ou para pacientes com risco aumentado de complicações5.

Medidas preventivas incluem4:

  • Cozinhar completamente carnes, aves e ovos;
  • Evitar o consumo de leite não pasteurizado e seus derivados;
  • Lavar bem frutas e vegetais antes do consumo;
  • Praticar boa higiene das mãos, especialmente após manipular alimentos crus ou entrar em contato com animais e antes de se alimentar;
  • Evitar o contato próximo com animais que possam estar infectados, especialmente para pessoas em grupos de risco.

Infecções por Sapovírus

A sapovirose é uma infecção gastrointestinal causada pelo sapovírus, pertencente à família Caliciviridae, assim como o norovírus. Embora menos conhecido, o sapovírus é uma causa significativa de gastroenterite aguda, especialmente em crianças pequenas, mas também pode afetar adultos e idosos. A infecção pode ocorrer tanto em casos isolados quanto em surtos, particularmente em ambientes fechados como creches, escolas e instituições de longa permanência1.

A principal via de transmissão é a fecal-oral, ou seja, contaminação na qual o agente etiológico presente nas fezes de uma pessoa infectada alcança a boca de uma pessoa saudável. Assim, a transmissão da ocorre através de1,2:

  • Ingestão de alimentos ou água contaminados;
  • Contato direto com fezes ou vômito de pessoas infectadas;
  • Contato com superfícies ou objetos contaminados.

O período de incubação varia de menos de 1 até 4 dias. A eliminação do vírus nas fezes pode continuar por semanas após a recuperação, aumentando o risco de transmissão2.

Os sintomas geralmente surgem abruptamente e incluem1:

  • Vômitos;
  • Diarreia aquosa;
  • Dor abdominal ou cólicas;
  • Náuseas;
  • Dor de cabeça;
  • Febre leve (menos comum).

A duração dos sintomas varia entre 1 e 4 dias. A doença é autolimitada na maioria dos casos, mas pode ser mais grave em crianças pequenas, idosos e imunocomprometidos1,3.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é realizado por meio de testes laboratoriais. O método mais sensível e específico é o PCR em tempo real (reação na cadeia de polimerase), que detecta o RNA viral em amostras de fezes. Devido à semelhança com outras gastroenterites virais3.

Qual é o tratamento?

Não há antivirais específicos para sapovirose. O tratamento é de suporte e visa prevenir a desidratação por meio da reposição de líquidos e eletrólitos. Casos graves podem necessitar de hospitalização e hidratação intravenosa3.

Medidas eficazes incluem1,2:

  • Lavar as mãos com água e sabão, especialmente após ir ao banheiro, trocar fraldas e antes de se alimentar;
  • Lavar bem frutas e legumes antes do consumo;
  • Garantir o consumo de água potável de fonte confiável;
  • Evitar preparo de alimentos por pessoas doentes;
  • Limpar e desinfetar superfícies e utensílios após episódios de vômito ou diarreia.
  1. R-BIOPHARM – SAPOVIRUS AND GASTROENTERITIS
  2. GASTROCENTRO – VIROSE GASTROINTESTINAL
  3. CDC – VIRAL GASTROENTERITIS OVERVIEW (ADAPTADO, JÁ QUE REFERÊNCIAS DIRETAS DE SAPOVÍRUS SÃO LIMITADAS E SE BASEIAM EM DADOS SEMELHANTES AOS DO NOROVÍRUS)

Infecções por Cryptosporidium

A criptosporidiose é uma infecção intestinal causada por protozoários do gênero Cryptosporidium, especialmente as espécies C. hominis e C. parvum. Esses parasitas afetam humanos e diversos animais, sendo transmitidos principalmente por meio da ingestão de água ou alimentos contaminados1.

A principal via de transmissão é a fecal-oral, ou seja, contaminação na qual o agente etiológico presente nas fezes de uma pessoa ou animal infectado alcançam a boca de uma pessoa saudável. Assim, a transmissão da criptosporidose ocorre através da ingestão de oocistos presentes em1,2:

  • Água contaminada (potável ou recreativa, como piscinas);
  • Alimentos crus ou mal lavados;
  • Contato direto com pessoas ou animais infectados;
  • Superfícies contaminadas, como brinquedos e utensílios.

Os oocistos (estágios infecciosos de parasitas protozoários que são eliminados nas fezes de um hospedeiro infectado), são altamente resistentes a desinfetantes comuns, como o cloro, o que facilita sua sobrevivência em ambientes aquáticos1.

Os sintomas geralmente surgem entre 2 e 10 dias após a exposição1 e incluem:

  • Diarreia aquosa;
  • Dor abdominal;
  • Náuseas e vômitos;
  • Febre leve;
  • Perda de apetite
  • Desidratação e distúrbios eletrolíticos.

Em pessoas saudáveis, a doença tende a ser autolimitada, durando cerca de duas semanas. No entanto, em indivíduos imunocomprometidos, a infecção pode ser mais grave e prolongada3.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é realizado por meio da identificação de oocistos nas fezes, utilizando técnicas como4:

  • Microscopia com coloração especial;
  • Testes imunológicos;
  • Métodos moleculares, como PCR, que oferecem maior sensibilidade e especificidade.

Qual é o tratamento?

Para a maioria dos pacientes imunocompetentes, a criptosporidiose é autolimitada e o tratamento visa aliviar os sintomas, com foco na reposição de líquidos (hidratação) e eletrólitos. Em casos mais graves ou em pacientes imunocomprometidos, pode-se utilizar medicamentos antiparasitários, conforme orientação médica, sobretudo para indivíduos a partir de 1 ano de idade5.

Medidas preventivas incluem1,2:

  • Consumir água tratada e segura;
  • Lavar bem frutas e vegetais antes do consumo;
  • Evitar ingestão de alimentos crus de origem duvidosa;
  • Praticar boa higiene das mãos, especialmente após usar o banheiro ou trocar fraldas;
  • Evitar nadar em piscinas ou rios se estiver com diarreia.
  1. CDC – SOBRE A CRIPTOSPORIDIOSE
  2. WASHINGTON STATE DOH – DIRETRIZES DE CONTROLE
  3. HIV CLINICAL GUIDELINES – CDC CLINICALINFO
  4. SCIENCEDIRECT – AVANÇOS EM DIAGNÓSTICO MOLECULAR
  5. CDC YELLOW BOOK – CRIPTOSPORIDIOSE E VIAGENS
 

Infecções respiratórias

Influenza A (gripe)

A Influenza A é um tipo de vírus da gripe que afeta o sistema respiratório e pode causar desde sintomas leves até complicações graves, especialmente em grupos de risco como idosos, crianças pequenas e pessoas com doenças crônicas. É responsável por epidemias sazonais e, ocasionalmente, por pandemias1. Os subtipos mais comuns em humanos são o H1N1 e o H3N2.

A transmissão da Influenza A ocorre principalmente por meio de gotículas respiratórias expelidas ao falar, tossir ou espirrar. Também pode ocorrer por contato com superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos. O período de incubação varia de 1 a 4 dias, e a pessoa infectada pode transmitir o vírus até 7 dias após o início dos sintomas2.

Os sintomas da Influenza A geralmente surgem de forma súbita e incluem:

  • Febre alta;
  • Tosse seca;
  • Dor de garganta;
  • Congestão nasal;
  • Dores musculares e nas articulações;
  • Dor de cabeça;
  • Calafrios;
  • Fadiga.

Em alguns casos, podem ocorrer vômitos e diarreia, especialmente em crianças1.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é baseado na avaliação clínica dos sintomas e pode ser confirmado por testes laboratoriais, como o PCR, que detecta o material genético do vírus em amostras respiratórias. A confirmação laboratorial é especialmente importante em casos graves ou em pacientes de grupos de risco3.

Qual é o tratamento?

O tratamento da Influenza A é sintomático, incluindo repouso, hidratação e uso de medicamentos para aliviar os sintomas, como antitérmicos e analgésicos. Em casos graves ou em pacientes de alto risco, pode ser indicado o uso de antivirais, conforme orientação médica4.

Medidas eficazes de prevenção incluem:

  • Vacinação anual contra a gripe;
  • Higienização frequente das mãos com água e sabão ou álcool em gel;
  • Cobrir a boca e o nariz ao tossir ou espirrar;
  • Evitar contato próximo com pessoas doentes;
  • Manter ambientes bem ventilados;
  • Evitar aglomerações, especialmente durante surtos.

Tuberculose (TB)

A tuberculose é uma doença infecciosa causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, também conhecida como bacilo de Koch. Ela afeta principalmente os pulmões, mas pode atingir outros órgãos, como ossos, rins e meninges. A transmissão ocorre pelo ar, quando uma pessoa com tuberculose pulmonar ativa tosse, fala ou espirra, liberando partículas que podem ser inaladas por outras pessoas1. A tuberculose pode afetar todas as pessoas. No entanto, o risco de desenvolver a doença é maior em crianças de 0-5 anos. Isso ocorre porque a imunidade ainda não está completamente formada. As pessoas idosas também correm maior risco por causa da baixa imunidade. Além disso, algumas outras doenças facilitam o desenvolvimento da tuberculose, como a aids (HIV) e o diabetes, por tornarem a pessoa mais vulnerável.2 

Tuberculose (TB) é transmitida pelo ar, quando uma pessoa com a forma pulmonar ativa da doença tosse, espirra, fala ou canta, liberando no ambiente pequenas partículas contaminadas com a bactéria Mycobacterium tuberculosis. Ao serem inaladas por outras pessoas, essas partículas podem causar infecção.

A transmissão ocorre especialmente em locais fechados, pouco ventilados e com aglomeração. Importante destacar que a TB não é transmitida por contato físico, objetos ou alimentos, e pessoas com tuberculose latente (sem sintomas) não transmitem a doença.

Os sintomas mais comuns da tuberculose pulmonar incluem:

  • Tosse persistente por mais de três semanas, podendo haver presença de sangue;
  • Febre, geralmente no período da tarde;
  • Suores noturnos;
  • Perda de peso e apetite;
  • Cansaço e fraqueza.

É importante destacar que a tuberculose pode se desenvolver de forma lenta, e os sintomas podem ser confundidos com outras doenças, como gripes ou resfriados.3

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da tuberculose é realizado por meio de exames clínicos, radiografias de tórax e exames laboratoriais, como a baciloscopia do escarro, que identifica a presença do bacilo de Koch. Em alguns casos, podem ser necessários exames complementares, como a cultura para micobactérias e testes moleculares.4

Qual é o tratamento?

É importante esclarecer que a tuberculose tem cura e que o tratamento é gratuito e disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Ele consiste na administração de uma combinação de medicamentos por um período mínimo de seis meses. É fundamental seguir corretamente o tratamento até o final, mesmo que os sintomas desapareçam antes, para garantir a cura e evitar o desenvolvimento de formas resistentes da doença1.

As principais medidas de prevenção incluem:

  • Vacinação com a BCG (Bacilo de Calmette-Guérin) em crianças até cinco anos de idade, que protege contra as formas graves da doença;
  • Identificação e tratamento adequado de casos ativos para interromper a cadeia de transmissão;
  • Melhoria das condições de vida, como ambientes bem ventilados e com boa iluminação natural;
  • Uso de máscaras por pessoas infectadas durante o período de transmissibilidade.5

Infecções sexualmente transmissíveis (IST)

Candidíase

A candidíase vaginal é uma infecção causada pelo crescimento excessivo do fungo Candida albicans, que normalmente habita a flora vaginal sem causar problemas. Quando há um desequilíbrio, esse fungo pode proliferar e causar sintomas desconfortáveis. Estima-se que cerca de 75% das mulheres terão pelo menos um episódio de candidíase vaginal ao longo da vida1.

Os sintomas mais comuns incluem:

  • Coceira intensa na região vaginal;
  • Corrimento branco e espesso;
  • Ardência ao urinar;
  • Dor durante as relações sexuais;
  • Vermelhidão e inchaço na vulva.

É importante destacar que esses sintomas podem ser semelhantes aos de outras infecções vaginais, como a vaginose bacteriana ou a tricomoníase, por isso é fundamental procurar um profissional de saúde para um diagnóstico preciso1.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é realizado por meio de avaliação clínica e exames laboratoriais, como o PCR em tempo real, o exame microscópico do corrimento vaginal ou a cultura para identificação do fungo2. Em casos recorrentes, pode ser necessário investigar possíveis fatores predisponentes, como diabetes ou uso de antibióticos.

Qual é o tratamento?

O tratamento da candidíase vaginal envolve o uso de antifúngicos, que podem ser administrados por via oral ou tópica (cremes ou óvulos vaginais). A escolha do tratamento depende da gravidade dos sintomas e da frequência das infecções. É essencial seguir as orientações médicas e completar o tratamento, mesmo que os sintomas desapareçam antes do término1, 2.

Algumas medidas podem ajudar a prevenir a candidíase vaginal:

  • Manter a região genital limpa e seca;
  • Evitar o uso de roupas íntimas apertadas e de tecidos sintéticos;
  • Optar por calcinhas de algodão;
  • Evitar duchas vaginais, que podem alterar a flora natural;
  • Controlar doenças crônicas, como o diabetes;
  • Reduzir o uso indiscriminado de antibióticos1
  1. CDC – CANDIDIASIS — BASE PARA DEFINIÇÕES, PREVALÊNCIA, FATORES DE RISCO E ORIENTAÇÕES GERAIS DE TRATAMENTO E PREVENÇÃO.
  2. CDC – FUNGAL DISEASES – THRUSH AND OTHER CANDIDA INFECTIONS — COMPLEMENTA O CONTEÚDO SOBRE SINTOMAS, DIAGNÓSTICO E CUIDADOS ESPECIAIS EM IMUNOCOMPROMETIDOS.

Streptococcus do grupo B (GBS)

O Streptococcus agalactiae, conhecido como Streptococcus do Grupo B (GBS), é uma bactéria que pode estar presente no trato gastrointestinal e genital de adultos saudáveis sem causar sintomas. No entanto, durante a gravidez, a presença dessa bactéria pode representar riscos para o recém-nascido, podendo causar infecções graves como sepse, pneumonia e meningite1. Estima-se que entre 10% e 30% das gestantes sejam portadoras do GBS no trato vaginal ou retal1.

Em adultos saudáveis, o GBS geralmente não causa sintomas. No entanto, em recém-nascidos, a infecção pode se manifestar de duas formas:

  • Doença de início precoce: ocorre nos primeiros sete dias de vida e pode causar sepse, pneumonia e meningite2;
  • Doença de início tardio: ocorre entre a primeira semana e os três meses de vida, podendo também levar a meningite2.

Os sintomas em recém-nascidos incluem febre, dificuldade para se alimentar, letargia e irritabilidade2.

Como é feito o diagnóstico?

A detecção do GBS em gestantes é realizado por meio de um exame de swab vaginal e retal, geralmente entre a 35ª e 37ª semanas de gestação. A amostra coletada é analisada em laboratório para verificar a presença da bactéria4. Esse rastreamento é fundamental para determinar a necessidade de medidas preventivas durante o parto1.

Qual é o tratamento?

Se a gestante for identificada como portadora do GBS, é recomendada a administração de antibióticos intravenosos durante o trabalho de parto para reduzir o risco de transmissão da bactéria ao bebê1. Essa profilaxia antibiótica intraparto é eficaz na prevenção da doença de início precoce no recém-nascido1.

As principais medidas de prevenção incluem:

  • Rastreamento pré-natal: realizar o exame de swab vaginal e retal entre a 35ª e 37ª semanas de gestação4;
  • Profilaxia antibiótica intraparto: administração de antibióticos durante o trabalho de parto em gestantes portadoras do GBS1;
  • Atenção a fatores de risco: histórico de bebê anterior com infecção por GBS, trabalho de parto prematuro ou ruptura prolongada das membranas podem indicar a necessidade de tratamento mesmo sem o resultado do exame1.

Gonorreia e Clamídia

Gonorreia e Clamídia são infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) causadas por bactérias: Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis, respectivamente. Ambas são comuns em pessoas sexualmente ativas, especialmente entre 15 e 24 anos, que muitas vezes não apresentam sintomas, facilitando a transmissão. Em 2023, nos Estados Unidos, foram registrados mais de 600 mil casos de gonorreia e 1,6 milhão de casos de clamídia2.

Muitas pessoas infectadas não apresentam sintomas. No entanto, algumas manifestações possíveis são:

Gonorreia:

  • Corrimento uretral ou vaginal;
  • Dor ou ardência ao urinar;
  • Dor ou inchaço nos testículos;
  • Dor retal, secreção ou sangramento.

Clamídia:

  • Corrimento vaginal anormal;
  • Sensação de queimação ao urinar;
  • Dor abdominal inferior;
  • Dor durante a relação sexual.

Em mulheres, a clamídia pode levar à doença inflamatória pélvica (DIP), aumentando o risco de infertilidade3.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é realizado por meio de exames laboratoriais, como o PCR em tempo real, que detecta o material  genético das bactérias. A coleta pode ser feita com amostras de urina ou swabs das áreas afetadas3.

Qual é o tratamento?

Ambas as infecções são tratáveis com antibióticos administrados por via intramuscular e oral. O tratamento é relativamente simples e de curta duração1.

  • Uso consistente de preservativos;
  • Testes regulares para ISTs, especialmente em pessoas sexualmente ativas com múltiplos parceiros;
  • Comunicação aberta com parceiros sobre saúde sexual;
  • Tratamento imediato e notificação de parceiros em caso de diagnóstico positivo.

A Organização Mundial da Saúde estima que, em 2020, ocorreram aproximadamente 374 milhões de novas infecções por uma das quatro ISTs curáveis (clamídia, gonorreia, sífilis e tricomoníase) em pessoas de 15 a 49 anos4.

  1. CDC – GONOCOCCAL INFECTIONS AMONG ADOLESCENTS AND ADULTS
  2. CDC – NATIONAL OVERVIEW OF STIS IN 2023
  3. CDC – ABOUT CHLAMYDIA
  4. WHO – SEXUALLY TRANSMITTED INFECTIONS (STIS)

Tricomoníase

A tricomoníase é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis. É considerada a IST curável mais comum no mundo. Em 2020, foram estimados aproximadamente 156 milhões de novos casos globais entre pessoas de 15 a 49 anos1.

Cerca de 70% das pessoas infectadas não apresentam sintomas2. Quando presentes, os sintomas podem incluir:

  • Corrimento vaginal anormal, frequentemente com odor desagradável;
  • Coceira, ardência ou irritação genital;
  • Desconforto ao urinar;
  • Dor durante as relações sexuais.

Em homens, a infecção geralmente é assintomática, mas pode causar uretrite ou prostatite3.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico pode ser realizado por meio de exames laboratoriais, como a observação direta do protozoário em amostras de secreção vaginal ou uretral, cultura microbiológica ou testes de amplificação de ácido nucleico (NAAT), que detectam o material genético do parasita4.

Qual é o tratamento?

O tratamento recomendado é o uso de antimicrobiano oral específico. O tratamento costuma durar cerca de 7 dias e o parceiro sexual, ainda que assintomático, deverá ser tratado também de forma simutânea5.

  • Uso consistente de preservativos durante as relações sexuais;
  • Realização de exames regulares para ISTs, especialmente em pessoas com múltiplos parceiros;
  • Tratamento simultâneo de parceiros sexuais para evitar reinfecção.

Vaginite e Vaginose Bacteriana

Vaginite é um termo geral usado para descrever qualquer inflamação da vagina, geralmente associada a sintomas como corrimento anormal, odor, coceira, irritação ou ardência. As causas mais comuns incluem a vaginose bacteriana (VB), a candidíase e a tricomoníase1. A vaginose bacteriana, especificamente, ocorre quando há um desequilíbrio da microbiota vaginal, com redução dos lactobacilos e aumento de bactérias anaeróbias5.

Qual é a causa?

A microbiota vaginal é composta por diversos microrganismos, principalmente Lactobacillus spp., que ajudam a manter o pH vaginal ácido e protegem contra infecções1. Mudanças hormonais, uso de duchas vaginais, antibóticos e atividade sexual podem alterar esse equilíbrio, favorecendo o crescimento de bactérias anaeróbias que produzem substâncias com odor fétido e aumento do pH6.

A VB pode ser assintomática, mas muitas mulheres relatam:

  • Corrimento vaginal fino, branco ou acinzentado;
  • Odor desagradável, parecido com “peixe”;
  • Coceira e ardência;
  • Aumento do pH vaginal acima de 4,56.

Complicações e riscos durante a gestação

VB pode aumentar o risco de:

  • Aborto tardio;
  • Parto prematuro;
  • Ruptura precoce das membranas;
  • Infecções pós-parto e infecções neonatais4, 6.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é clínico, com base nos sintomas, pH vaginal e exames laboratoriais. Entretanto, métodos tradicionais podem ser subjetivos e pouco sensíveis8. Estudos indicam que os testes moleculares, como os testes de amplificação de ácido nucleico (NAAT), aumentam a precisão e confiabilidade do diagnóstico de VB, VVC e tricomoníase9, 10, 11.

Existe relação entre VB e outras doenças?

Sim. A vaginose bacteriana está associada ao aumento do risco de doenças sexualmente transmissíveis, como HPV e HIV12. Estudos sugerem que o desequilíbrio da flora vaginal pode influenciar a aquisição e persistência do HPV, e consequentemente, aumentar o risco de câncer do colo do útero12.

O tratamento deve ser prescrito por um profissional de saúde e poderá variar de acordo com o agente causador. Além disso, também podem ser prescritos medicamentos para alívio dos sintomas.

A prevenção inclui:

  • Evitar duchas vaginais;
  • Uso de preservativo;
  • Evitar automedicação;
  • Diagnóstico preciso com testes modernos para escolha correta do tratamento8, 9.
  1. PALADINE HL, DESAI UA. VAGINITIS: DIAGNOSIS AND TREATMENT. AM FAM PHYSICIAN. 2018.
  2. HAINER ML. VAGINITIS: DIAGNOSIS AND TREATMENT. AM FAM PHYSICIAN. 2011.
  3. POWELL K. VAGINAL THRUSH: QUALITY OF LIFE AND TREATMENTS. BR J NURS. 2010.
  4. SHERRARD J ET AL. EUROPEAN (IUSTI/WHO) GUIDELINE ON THE MANAGEMENT OF VAGINAL DISCHARGE.
  5. BARRIENTOS-DURÁN A ET AL. NUTRIENTS. 2020.
  6. FACHINI AM ET AL. DST – J BRAS DOENÇAS SEX TRANSM. 2005.
  7. MILLLER MR. CURRENT INFECTIOUS DISEASE REPORTS.
  8. SCHWIERTZ A ET AL. ANN CLIN MICROBIOL ANTIMICROB.
  9. LAMONT RF ET AL. BR J OBSTET GYNAECOL.
  10. MENARD J. CLIN INFECT DIS. 2008.
  11. LUO G. J CLIN MICROBIOL. 2002.
  12. BRUSSELAERS N ET AL. AM J OBSTET GYNECOL.